Manuel Diamantino Costa deveria ter aí uns 10 anos quando fez as primeiras vindimas.
Desde então, este agricultor da freguesia de Ossela, Oliveira de Azeméis, nunca mais deixou de dar continuidade àquela que foi uma prática comum quando vivia com os seus pais.
Hoje, aos 63 anos, continua a fazer da época das vindimas um momento especial como antigamente. Os métodos utilizados entre a apanha das uvas e a produção do vinho mantêm-se como no passado. Por isso, ainda hoje pisa as uvas com os pés, como fazia há décadas, apesar de existir equipamento para o esmagamento e a prensagem das uvas.
“Mantemos as coisas como eram antigamente, respeitando a tradição”, diz, recordando que, naquela altura, as vindimas eram vividas em ambiente de festa e convívio. “Vindimávamos e, à noite, pisávamos as uvas e depois comíamos e bebíamos”. Ainda hoje é assim.
O dia da vindima começa ao início da manhã sendo interrompido a meio da manhã para o “pequeno-almoço” (alguns chamam comer a “bucha”). Depois do almoço regressam ao trabalho até ao final do dia. As uvas vão sendo levadas, entretanto, para o lagar onde, à noite, são pisadas.
Num ano de boa colheita, Manuel Costa, produz uma média de 2 500 litros de vinho, branco e tinto. Produz um vinho misto onde entra, além do vinho tinto, a chamada uva americana. O produtor explica a razão: “os antigos diziam que era para dar a alma ao vinho, que é o gás”.
Para ajudá-lo nas vindimas, Manuel Costa reúne, à sua volta, familiares e alguns amigos. “Muitas pessoas querem vindimar para mim porque aqui sentem-se bem, como se estivessem em casa”.
À época, as uvas eram transportadas em dornas em carros de bois ou puxadas também por vacas. “Hoje é muito diferente, já são usados tratores”, refere.
A produção de vinho é só para consumo próprio e para oferecer a amigos. Não vende para fora.
Há muitos que apreciam o seu vinho, como é o caso de alguns dos participantes do Roteiro Literário Ferreira de Castro que tiveram já a oportunidade de provar o néctar na adega de Manuel Costa.
É uma paragem forçada na visita às 34 estações que fazem parte deste roteiro onde o visitante percorre caminhos, lugares, paisagens e experimenta pensamentos e sensações que o autor de “A Selva” deixou ao concelho, ao país e ao mundo. “Quando passam lá, e eu estou em casa, abro-lhes a porta e só não bebe quem não quer”, diz Manuel Costa.
É nesta freguesia onde nasceu o escritor Oliveirense que se produz também excelente vinho verde. A freguesia está integrada na região demarcada dos vinhos verdes (sub região do Paiva) beneficiando de um microclima propício à produção deste vinho de alta qualidade e apurado gosto.
Manuel Costa leva uma vida ligada à agricultura e enquanto puder continuará a cultivar as vinhas. “Faço tudo pela minha mão, podo, ato e sulfato as uvas com a ajuda da minha mulher. Sinto-me bem a fazer isto, gosto muito e, graças a Deus, batatas e vinho não faltam aqui”, diz.
De qualidade e bom gosto, ao que parece.